februari 27, 2004

TERRORISMO À ALAGOANA


Acabei de chegar em casa. Fui a um bar com Elena (Sem H mesmo), a suiça que tá aqui em casa, e uns amigos dela, nada muito animado, mas foi melhor que ficar em casa...na volta paramos pra comer um sanduiche e eu to aqui com o maior peso de consciência de ter comido algo tão calórico bem perto da hora de dormir :(
O meu carnaval??? que carnaval?? escrevi boa parte da minha monografia e só, de resto só uns telefonas "meio" suspeitos na madrugada da terça-feira.

1:30 da manhã da terça de carnaval, estou eu aqui em casa me preparando pra dormir quando o telefone começa a tocar, primeiramente não falam nada, depois um cara começa a falar coisas do tipo: você é muito gostasa, eu to te vendo o dia todo, você não me escapa. Primeiramente pensei que fosse um maluco passando trote, mas os telefonemas continuaram. Eu atendi umas 5 vezes e depois disso não tive mais coragem. As coisas que o cara falava não eram nada agradveis e eu realmente comecei a ficar com medo. Normalmenete u já sou paranoica com violência, quando fico sozinha em casa então nem se fala...sei que o tal cara acabou por me deixar totalmente apavorada, sozinha em casa tentei ligra para todos, mas ninguém aqui de casa atendia os celulares. Sem saber o que fazer e precisando falar com alguem, liguei pra Thomas no meio da noite em prantos e ele do outro lado do oceano não podia fazer nada, mas me deu a idéia de liguar para o porteiro do prédio.
A essa altura do campeonato eu já tava até pensando que tinha alguém aqui no apartamento( eu moro no 1º andar, então não seria tão difícil) e enquanto eu falava com Thomas o cara continuou ligando, mas eu não atendia...então interfonei para o porteiro, chorando, e pedi pra ele vim me pegar aqui no apartamento, ele prontamente atendeu meu pedido, mesmo sem entender nada, depois que me acalmei um pouco contei o que tinha acontecido ele leu o salmo 91 da bíblia. O porteiro foi muito legal. Me falou que seria muito dificil alguém entrar aqui sem ser notado por causa das cameras e laser espalhados pelo prédio e que talvez essa pessoa só quisesse me assustar e não tinha a intenção de fazer nada mesmo. Mas mesmo assim ainda estava com medo de voltar e ficar sozinha no apartamento...depois de muita conversa com o porteiro acabei voltando pra casa as 4 da manhã depois dele checar em todo o apartamento que realmente não tinha ninguém aqui. Acendi todas as luzes, fechei a porta do quarto e fui dormir.

Vocês devem tá achando que eu sou maluca, né? mas do jeito que as coisas andam no Brasil, todo dia você liga a tv, abre o jornal e só vê violência não consigo me sentir segura. Então quando fazem uma coisa dessas comigo(vocês não tem idéia do que o cara falava) eu fico apavorada mesmo, e eu é que não vou ficar parada esperando pra ver se é verdade. É horrível viver com essa insegurança diariamente, mas infelizemente essa é a realidade.

Pelo menos com isso acabei conhecendo melhor o porteiro da noite aqui do prédio. Um cara muito gente fina e culto. Ele é formado em música e desde pequeno toca piano e agora também dá aulas de piano. Alem disso também começou a estudar história, mas teve que parar porque no meio do curso seus pais morreram e ele teve que ir pra "luta" e até hoje está a maior briga por causa da herança dos pais dele. Ele me falou o quanto era diferente a vida dele quando os pais estava vivos e ele tinha dinheiro, mas desde da morte dos mesmos nada foi fácil pra ele, nada mais verdade que o conhecido clichê: O mundo dá muitas voltas.